“Eu sou uma só” ou as consequências da EUquipe

pato

Todo filme de esportes tem a frase “There´s no I in team”. E sim, é verdade, não existe EU em time, o trabalho é para ser feito em grupo, todo mundo importa e todas as outras coisas que você conseguir extrair disso. Mas isso só acontece quando existe um grupo, distribuição de tarefas, delegação de funções e tudo isso bem amarrado e entendido. Quando você é uma pessoa só para fazer a função de 2, 3, 5, 10 pessoas, as coisas são bem diferentes…

Na minha área isso é bem comum e existem redatores/designers, editores/mídias sociais, planejamento/finalização, atendimento/mídia e todas as combinações que você pensar, assim como as vagas de estágio e emprego que pedem pessoas com conhecimentos tão diversos que causam estranheza durante a leitura. Acabamos sendo multidisciplinares e isso não é ruim em um primeiro momento. Você passa a conhecer todo o processo de trabalho, consegue controlar melhor a maneira como as coisas são feitas e passa a entender um pouco de cada uma das habilidades necessárias.

Mas isso também cria profissionais sobrecarregados, sem funções específicas e especialidades pulverizadas que podem acabar não sendo impactantes o suficiente para o bom trabalho. E essa é a explicação da imagem do post, a popular história do pato: ele até nada, voa, canta e mergulha, mas não “faz direito” nada disso.  Por não dominar nenhuma técnica com excelência, ele acaba andando desengonçado, nadando mal, fazendo sons esquisitos… Mas está tudo ali nas características dele, um especialista em nada.

Claro que é super interessante saber um pouco de tudo, mas cada um precisa entender qual o seu papel e o que faz de melhor. E aprender a dizer ‘não’ sempre que necessário e argumentar bem os motivos.

O time de um só (ou EUquipe) acaba criando também problemas de gestão, tanto para a empresa quanto para a própria pessoa. A empresa, tentando criar uma solução rápida, fica dependente de um profissional para diversas funções e dificilmente sabe reconhecer isso, especialmente no campo financeiro. É escopo de trabalho crescendo e a remuneração permanecendo a mesma, as responsabilidades mudando e o provisório acaba se tornando o definitivo.  E como lidar com a saída desse profissional? Contratando mais de um para substituir ou tentar encontrar alguém tão multi tarefas quanto o antecessor? Não seria melhor ter pensado nisso anteriormente e distribuído melhor as funções para manter o seu time engajado?

A gestão do tempo e a qualidade do trabalho sempre são alertas para o profissional que não tem um foco definido. E ainda existe o desafio da delegação. Quem sempre fez tudo sozinho acaba não tendo muito preparo para a primeira experiência de gestão e sempre tem o impulso de fazer o máximo de tarefas sem compartilhar funções. O reflexo acaba sendo continuar seguindo aquele padrão e tentar abraçar o mundo. Para mudar isso, precisamos entender como é importante ouvir mais do que falar, procurar o melhor em cada profissional do time e desenvolver os métodos mais positivos para conseguir entregar o que você tem de melhor.

Sim, não existe I em team, mas o seu papel é essencial para que esse time exista em harmonia.

Qual o seu principal desafio ao tentar superar a cultura de uma pessoa fazendo o trabalho de várias? O meu é, sem dúvida, compreender como delegar é impactante nos resultados.

Para fechar, uma dica de leitura maravilhosa: An open letter to managers of womenNão, você não é a única que passa por várias coisas no trabalho…

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