Como perdi o medo de assinar meus posts (ou ‘superando a síndrome do impostor’)

Como perdi o medo de assinar meus post (ou 'superando a síndrome do impostor')

Brinco muito que meu maior desejo profissionalmente é ser como um ninja, fazendo tudo, resolvendo as questões, mas nunca sendo vista. E de uns tempos pra cá passei a ter uma outra percepção disso tudo. Ainda prefiro ser a pessoa dos bastidores, agindo com mais peso fora da visão de todos, mas entendi a importância de estar nos holofotes em alguns momentos.

O desafio começou ao tentar me desvincular da imagem dessa ou daquela empresa e criar a minha própria marca pessoal. No meu caso, o principal ativo envolvido eram os conteúdos que gosto de escrever e publicar, seja em blogs parceiros ou no Linkedin Pulse. Definir qual seria o meu foco profissional e como eu gostaria de ser vista, quase um mini estudo de branding. Passei a prestar mais atenção no que poderiam ser as minhas especialidades e o que poderia ser interessante para um público externo, não apenas ao meu círculo social. Falar sobre comunicação, marketing e relacionamento, trabalhando dentro deles criatividade, produtividade como temas de inspiração foi a minha escolha.

É pra ser protagonista ou coadjuvante na história?

A primeira grande barreira era utilizar meu nome e minha imagem. Lembrei de todas as aulas de telejornalismo na faculdade e em como era difícil aparecer, quase um bloqueio. Uma insegurança muito grande, o medo de exposição, tudo me incomodava. Mas chegava a hora de tentar vencer isso e, depois de começar a trabalhar meu nome apenas como uma assinatura de posts, criei um blog com meu nome. A primeira ideia foi ter um espaço com um nome diferente, seguindo sendo só uma assinatura. Mas e o meu trabalho anterior de relacionamento teria de ser reforçado para reforçar esse nome fantasia e eu continuaria sendo a Lígia de algum lugar. A ideia não era mais essa.

E resolvi que tinha chegado a hora de botar a cara no sol e enfrentar todos esses receios. Comprar o domínio era um desejo antigo, mas o pensamento sempre era quem é que vai querer ler algo dessa pessoa que ninguém nem sabe quem é? Ah, se não der certo, não tem problema, vira um blog só pra mim. Eu precisava aparecer, já tinha passado da hora. Cada post no linkedin que recebia comentários de pessoas diferentes era um passinho rumo ao que nem sabia que queria, mas tinha se tornado o meu objetivo: ser reconhecida como alguém que entende de alguma coisa e é interessante de ser lida.

 

Pronto, blog criado, lançado nas redes sociais. Primeiras curtidas e leituras era obviamente de conhecidos. Ótimo, a segurança do que é conhecido. Cada post estava no blog e no Pulse (sempre com links para o meu espaço, obviamente). Até que um dia recebi um convite para escrever de um dos editores do Linkedin e veio o primeiro grande frio na barriga: será que eu consigo? A resposta foi uma lembrança de uma coisa que um professor me disse uma vez temos que falar sobre o que conhecemos, não adianta querer reinventar a roda. E não é que eu entendia alguma coisa sobre assédio no ambiente de trabalho? A cada comentário, curtida e afins era uma alegria e a sensação de dever cumprido.

Depois disso, eu perdi muito do medo de aparecer e tive ainda mais vontade de fazer acontecer e falar sobre o que é importante para mim. O blog foi o meu grande instrumento para superar uma sensação tão antiga, a de não gostar nem querer aparecer. A tranquilidade de falar sobre temas de meu conhecimento, pesquisar, escrever e ser reconhecida por isso tinha chegado.

A tal síndrome do impostor

Querer contar essa história boba veio de uma conversa com uma amiga que percebeu como seria bom trabalhar o nome dela para reforçar ainda mais suas capacidades técnicas profissionais. Mais do que títulos acadêmicos, trabalhar seu nome como uma de suas características marcantes, ser conhecida e reconhecida dentro de seu mercado (e até fora dele). Conversamos sobre como pessoas que muitas vezes tem tão pouco a dizer acabam sendo tratadas como grandes especialistas por saberem se vender como tal.

Quem nunca achou que era uma grande farsa e que seria desmascarada como alguém que não sabe de nada? Nós precisávamos superar essa barreira, não somos uma mentira, entendemos dos nossos mercados e temos credenciais para falar do que entendemos. Só não tínhamos a força para romper com essa Síndrome do Impostor.

Ainda não tenho a calma de, por exemplo, gravar um vídeo ou fazer um podcast. A barreira pra isso ainda existe, mas venci o bloqueio de saber que alguém está lendo o que escrevi e me sentir bem com isso. Ufa. Obrigada por você aí do outro lado da tela fazer parte disso, me ajudando a ser uma pessoa menos ‘tímida’. Quem sabe um dia não nos encontramos em uma palestra, aula ou algo do tipo?

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